22.8.04

Aqui há rato

e é do campo e é da cidade, e é do convés e é das galés, e também anda pelos rodapés. E é bicho de subterrâneos e de esgoto sem desgosto, e é esperto que cai nas ratoeiras do homem (que andam eles a fazer?)
E é de rato observar os esquecidos, e ver indigentes e ver dirigentes, maltrapilhos e vizinhos, e cheirar venenos e cheirinhos nos beicinhos dos meninos, e das meninas também, e das meretrizes veteranas, e das carcaças dos caídos, e dos insignes glorificados, e de todos eles compreender: «cheiram mesmo ao mesmo do mesmo, até as sereias de encanto inventadas em cantos».
E de tudo isto o rato não tira lições, só visões largas, largadas sem ilusões, na rede.