7.9.04

As Bodas de Deus


João César Monteiro em As Bodas de Deus

...do sítio:

Nota de intenções
"Não lembra ao diabo fazer um filme que, ainda por cima com alguma ironia, nos fala repetidamente da impossibilidade do seu propósito, da impossibilidade da sua razão de ser.
Sossegai-vos, no entanto, ó incrédulos. Pode-se viver com isso, pode-se viver assim.
E alguns de nós, (poucos, espero), terão de convir que AS BODAS DE DEUS é um filme delicioso. Noblesse oblige."
João César Monteiro


Diálogo entre o Enviado de Deus e João de Deus

Enviado de Deus - Sou Enviado de Deus.
João de Deus - Vou ser chamado?
Enviado de Deus - Não me deram instruções nesse sentido. És demasiado velho.
João de Deus - Serei poeira, mas poeira enamorada.
Enviado de Deus - Fui enviado para te entregar esta mala. Contém uma soma avultadíssima em dinheiro.
João de Deus - Quanto?
Enviado de Deus - Não nos prendamos com pormenores. És rico como Cresus. Podes comprar o que te apetecer.
João de Deus - Ter caprichos?
Enviado de Deus - Os mais extravagantes.
João de Deus - Derrubar governos?
Enviado de Deus - A partir de hoje és o homem mais poderoso da terra. Não tens de prestar contas a ninguém.
João de Deus - Nem sequer tenho que acender uma vela ao meu benfeitor?
Enviado de Deus - Nem sequer. Estás dispensado das acções de graças.
João de Deus - Nesse caso sou bem capaz de ficar com a malinha. O taco é em dólares?
Enviado de Deus - Podes trocá-lo para marcos. Vai sofrer menos flutuações.
João de Deus - Também me parece.